Quanto custa um website em Portugal, e porque varia tanto
Peça três orçamentos para o mesmo site e receba 400 €, 2.500 € e 9.000 €. Nenhum está errado: estão a vender coisas diferentes. Este artigo mostra o que separa cada um.
É a primeira pergunta de qualquer reunião e a mais difícil de responder em abstrato. "Quanto custa um website?" é, na prática, a mesma pergunta que "quanto custa uma casa?": depende do tamanho, do que já existe no terreno e de quanto do trabalho fica para si.
Em vez de dar um número, vale mais perceber o que faz o número mexer. Depois disso, comparar propostas deixa de ser um exercício de adivinhação.
As quatro faixas que existem no mercado
Em Portugal, os orçamentos de sites para pequenas e médias empresas agrupam-se com bastante consistência em quatro faixas.
Até 500 € — template configurado
Um tema comprado, preenchido com os seus textos e o seu logótipo. Fica no ar depressa e resolve o problema de não existir nada. Em troca, o site parece-se com muitos outros, a velocidade é a que o tema permitir e as alterações estruturais custam mais do que o site original.
500 € a 2.000 € — site à medida, âmbito contido
Estrutura pensada para o negócio, design próprio e desenvolvimento feito de raiz, normalmente entre cinco e dez páginas. É onde cabe a maior parte das empresas de serviços que precisam de explicar bem o que fazem e receber pedidos de contacto.
2.000 € a 6.000 € — site com sistema
O site deixa de ser só páginas: tem catálogo, área reservada, marcações, integração com um CRM ou com faturação, várias línguas. O custo sobe não pelo design, mas pela lógica que passa a existir por trás.
Acima de 6.000 € — plataforma
Aqui já não se está a comprar um site, mas software com uma página inicial à frente. E-commerce com regras próprias, portais com milhares de utilizadores, produtos com contas e subscrições. Faz sentido quando o site é o negócio, não o cartão de visita do negócio.
A pergunta útil não é "quanto custa um site", é "em qual destas quatro faixas é que o meu problema vive".
O que faz o preço subir de verdade
Ao contrário do que se pensa, raramente é o número de páginas. Cinco páginas ou doze com a mesma estrutura é quase o mesmo trabalho. O que pesa é outra coisa:
- Conteúdo por escrever — se os textos ainda não existem, alguém tem de os pensar, e isso é trabalho
- Integrações — ligar o site a um CRM, a um sistema de reservas ou à faturação é sempre mais do que parece
- Conteúdo dinâmico — blog, catálogo, portefólio filtrável, tudo o que precise de ser editável
- Várias línguas — não é traduzir, é duplicar estrutura, URLs, meta tags e manutenção
- Área reservada — a partir do momento em que existe login, existem permissões, recuperação de password e responsabilidade sobre dados
- Migração — trazer um site antigo com histórico e URLs a manter dá mais trabalho do que começar do zero
O que quase nunca aparece nos orçamentos
Ao comparar propostas, o mais revelador costuma ser o que não está lá. Antes de decidir, confirme por escrito:
- Quem fica dono do domínio e do código — se a resposta não for "o cliente", é um custo futuro disfarçado
- Quanto custa o alojamento por ano e quem o paga
- Se está incluída alguma forma de editar conteúdos sem pedir ajuda
- Quantas rondas de alterações estão previstas antes de passarem a extra
- O que acontece nos primeiros 30 dias depois do lançamento
- Se há manutenção mensal obrigatória e o que ela inclui de facto
Um orçamento de 900 € que obriga a 60 € por mês de manutenção durante três anos custa 3.060 €. Um de 2.000 € com o código entregue e alojamento a 15 € por mês custa 2.540 € no mesmo período. O número grande na primeira página raramente é o número final.
Como saber quanto vale a pena investir
Existe uma conta simples que ajuda a decidir. Estime quantos contactos por mês o site pode gerar de forma realista, que percentagem se transforma em cliente e quanto vale um cliente para si no primeiro ano.
Retorno anual = contactos por mês × 12 × taxa de conversão × valor médio do primeiro ano de cliente
Uma empresa de serviços que receba oito contactos por mês, feche um em cada quatro e cujo cliente médio valha 800 € no primeiro ano, tem um retorno anual na ordem dos 19.000 €. Nesse cenário, discutir se o site custa 1.500 € ou 2.500 € é discutir a margem de erro, não a decisão.
Se, pelo contrário, o negócio não depende de contactos vindos da internet — vive de referências, de contratos públicos ou de uma montra na rua — então um site de 400 € pode ser exatamente a decisão certa, e quem lhe vender mais do que isso não está a fazer-lhe um favor.
Uma nota sobre prazos
Prazos e preços estão ligados de uma forma que raramente se admite: a maioria dos projetos de site que derrapa não derrapa por causa do desenvolvimento, mas por causa do conteúdo. O design está aprovado, o código está pronto, e o projeto fica dois meses à espera dos textos da página de serviços.
Se quiser que o seu site fique pronto no prazo previsto, trate os textos como a primeira tarefa do projeto e não como a última. É o único ponto em que o cliente controla, sozinho, metade do calendário.
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