WordPress ou site à medida: como decidir sem se arrepender
Metade do mercado diz que WordPress é a única escolha sensata e a outra metade diz que é uma dívida técnica com logótipo. Nenhum dos lados está a pensar no seu caso.
Esta discussão está estragada por interesse. Quem vive de WordPress defende WordPress; quem vive de programar à medida acha que WordPress é um problema à espera de acontecer. As duas posições são previsíveis e, por isso, pouco úteis a quem tem mesmo de decidir.
Vamos por partes: o que cada opção realmente lhe dá, o que realmente lhe custa, e três perguntas que resolvem a decisão na maioria dos casos.
O que WordPress faz bem
WordPress corre hoje uma fatia enorme da web e não é por acaso. É bom em três coisas concretas: publicar conteúdo com frequência, encontrar quem o saiba mexer e resolver requisitos comuns com plugins já feitos.
- Se publica artigos, notícias ou eventos todas as semanas, o editor é maduro e a sua equipa provavelmente já o conhece
- Se precisa de loja, formulários complexos ou reservas, existe plugin para isso — testado por muita gente
- Se um dia mudar de fornecedor, há milhares de pessoas capazes de continuar o trabalho
Este último ponto é subestimado. A continuidade tem valor real, e quem decide por uma empresa deve pensar no que acontece quando quem construiu o site já não estiver disponível.
O que WordPress lhe custa
O preço de entrada é baixo e o custo de posse é contínuo. Um site WordPress típico assenta em dez a vinte plugins, cada um com o seu ciclo de atualizações, o seu autor e a sua probabilidade de ser abandonado.
- Atualizações que têm de ser feitas e testadas, porque uma delas há de partir alguma coisa
- Segurança — a popularidade da plataforma torna-a o alvo mais rentável para ataques automatizados
- Velocidade — cada plugin acrescenta CSS e JavaScript à página, e o resultado raramente é leve
- Dependência de terceiros — quando um plugin essencial deixa de ser mantido, o problema passa a ser seu
Nada disto é fatal, e há quem gira WordPress muito bem. Mas é trabalho recorrente que alguém tem de fazer, e a conta de manutenção existe mesmo que ninguém a esteja a mostrar.
O que ganha à medida
Um site construído de raiz — no nosso caso com React e conteúdo pré-renderizado — não tem plugins para atualizar nem base de dados exposta ao mundo. As páginas são geradas antes de existir visitante, o que resolve de uma vez a velocidade e a indexação.
- Carregamento rápido por construção, não por otimização acrescentada depois
- Superfície de ataque mínima: não há painel de administração público nem base de dados a atacar
- Alojamento barato e estável, muitas vezes numa CDN sem servidor a manter
- Cada detalhe de interface é exatamente o que se desenhou, sem lutar contra um tema
A contrapartida honesta: alterações estruturais exigem quem saiba programar. Trocar um texto ou uma imagem pode ficar tão simples quanto no WordPress, se for previsto no projeto — mas acrescentar uma secção nova não é arrastar um bloco.
Três perguntas que decidem
- Com que frequência vai publicar conteúdo novo? Semanal ou mais, WordPress ganha peso. Duas ou três alterações por ano, à medida ganha.
- Quem vai mexer no site no dia a dia? Uma equipa de marketing habituada a publicar tem hábitos que valem dinheiro. Se ninguém vai lá tocar, esse argumento desaparece.
- O site tem de fazer alguma coisa fora do comum? Se a resposta envolve regras próprias, cálculos ou fluxos que nenhum plugin cobre, a medida deixa de ser opção e passa a ser o caminho mais barato.
Regra prática: conteúdo a mudar muitas vezes puxa para WordPress; comportamento fora do comum puxa para à medida. Quando não puxa para lado nenhum, escolha o que a sua equipa consegue manter.
O pior dos dois mundos
Existe uma terceira via que aparece muito e que vale a pena evitar: WordPress carregado com um construtor visual pesado e trinta plugins para simular funcionalidades à medida. Fica lento, frágil e, ainda assim, difícil de alterar sem quebrar. Paga-se o custo de manutenção de uma plataforma e a rigidez de um sistema fechado ao mesmo tempo.
Se chegou ao ponto de precisar de dez plugins para o site fazer o que quer, a pergunta já não é qual das duas opções escolher. É porque é que o site precisa de fazer aquilo — e se não haverá uma forma mais simples de o resolver.
Como decidimos aqui
Por defeito construímos à medida, porque a maior parte dos sites de empresas de serviços muda pouco e beneficia muito de ser rápido e seguro sem manutenção constante. Quando o cliente tem equipa a publicar todas as semanas e hábitos formados, recomendamos WordPress sem drama nenhum — e dizemo-lo na proposta, com o motivo escrito.
A decisão errada não é escolher uma das duas. É escolher sem saber quanto custa manter aquilo que se escolheu.
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