O seu site é lento e isso está a custar-lhe clientes
Quem espera não fica. A maior parte dos visitantes que perde por lentidão nunca aparece nas estatísticas, porque desiste antes de a página chegar a contar a visita.
A lentidão de um site é o problema mais fácil de medir e o mais fácil de ignorar. No computador do escritório, ligado por cabo, o site abre num instante. No telemóvel de um cliente, com rede fraca à espera do autocarro, a experiência é outra — e é essa que conta.
As três métricas que interessam
O Google reduziu a experiência de carregamento a três indicadores, medidos em utilizadores reais e não em laboratório.
- LCP — quanto tempo demora o elemento principal da página a aparecer. Bom: até 2,5 segundos.
- INP — quanto tempo a página demora a responder a um clique ou toque. Bom: até 200 milissegundos.
- CLS — quanto o conteúdo salta enquanto carrega. Bom: abaixo de 0,1.
O terceiro é o mais subestimado e o mais irritante para quem visita: o botão salta no momento em que se vai a carregar e acaba-se noutra página. Costuma ter uma causa banal — imagens e anúncios sem dimensões declaradas.
O que custa, em contactos perdidos
Os estudos de mercado variam, mas a direção é sempre a mesma: a probabilidade de abandono cresce depressa com cada segundo adicional, e o efeito é muito mais forte em telemóvel do que em computador.
Em vez de citar percentagens genéricas, faça a conta com os seus números. Se o site recebe 2.000 visitas por mês, converte 2% em contactos e 20% desses em clientes de 800 €, cada ponto percentual de abandono evitado vale cerca de 384 € por ano. Não é dramático — mas raramente custa mais do que isso corrigir.
Meça primeiro no telemóvel, com rede lenta simulada. É o cenário em que a maioria dos seus visitantes está, e o único em que os problemas aparecem.
As sete causas mais comuns
1. Imagens no tamanho original
A causa número um, sem concorrência próxima. Uma fotografia de 4 MB tirada com o telemóvel, colocada num espaço de 600 píxeis de largura. A correção é redimensionar, converter para WebP ou AVIF e servir tamanhos diferentes conforme o ecrã. Reduções de 90% no peso são normais.
2. Tipos de letra a bloquear o texto
Três famílias, seis pesos, carregadas de um domínio externo antes de qualquer texto aparecer. Escolha uma família, dois ou três pesos, aloje-os consigo e use font-display para o texto aparecer imediatamente.
3. Scripts de terceiros
Analytics, mapas de calor, chat, pixéis de publicidade, widget de avaliações. Cada um parece inofensivo; somados, são frequentemente mais pesados do que o site inteiro. Faça a lista e pergunte, um a um, quem olhou para aqueles dados nos últimos três meses.
4. Vídeo em reprodução automática no topo
Bonito na apresentação, caro na rede móvel. Se for mesmo necessário, use uma imagem estática de fundo e carregue o vídeo apenas depois de a página estar utilizável.
5. Plugins acumulados
Em sites WordPress, cada plugin acrescenta o seu CSS e o seu JavaScript a todas as páginas — mesmo naquelas onde não faz nada. Desative os que já não são usados e verifique o que sobra.
6. Alojamento partilhado barato
Se o servidor demora mais de meio segundo a responder ao primeiro pedido, nenhuma otimização à frente disso resolve o problema. Para sites estáticos, uma CDN custa quase nada e responde em dezenas de milissegundos.
7. Tudo em JavaScript
Páginas que só existem depois de o navegador executar centenas de kilobytes de código. Para conteúdo que não muda a cada visita, gerar o HTML antecipadamente resolve velocidade e indexação ao mesmo tempo.
Por onde começar amanhã
- Passe a página principal e a página de serviços pelo PageSpeed Insights, na vista de telemóvel
- Trate primeiro das imagens — é quase sempre onde está mais de metade do peso
- Corte os scripts de terceiros que ninguém consulta
- Declare largura e altura em todas as imagens, para acabar com os saltos de conteúdo
- Volte a medir uma semana depois, com dados de utilizadores reais e não só de laboratório
Estes cinco passos resolvem a maior parte dos casos sem tocar na estrutura do site. Quando não chegam, o problema deixou de ser de otimização e passou a ser de construção — e aí a conversa é outra.
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